Neste relato, Jorge Farias compartilha sua trajetória de transformação por meio da corrida, mostrando como disciplina, constância e mudança de hábitos podem impactar o corpo, a mente e a vida em família.
Início da mudança
Tudo começou quando minha esposa quis ir para a academia. Para incentivá-la, resolvi ir também. No fundo, eu pensava que seria só por um mês, apenas até ela pegar o hábito, e depois eu pararia.
Mas acabei gostando e continuei. Com a academia, fui fortalecendo o corpo.
A corrida começou quando vi minha irmã correndo. Achei interessante, porque sempre gostei de esporte, de jogar bola e de correr. Mas, com a rotina de ser pai e todas as responsabilidades, acabei ganhando peso.
Em 2020, fui jogar bola e acabei rompendo o LCA do joelho esquerdo. Naquele momento, para mim, parecia que o esporte tinha chegado ao fim.
Mas, vendo minha irmã correr, decidi tentar. No início, foi muito difícil. Eu não corria, apenas caminhava, até conseguir correr 1 km. Tudo foi desafiador. Havia vários motivos para parar, além das dores no corpo — e o joelho inchava —, mas mesmo assim continuei, porque sabia que aquilo estava me fazendo bem.
Rotina atual de treinos
Hoje treino corrida de 3 a 4 vezes por semana e faço fortalecimento na academia 2 vezes por semana. Concilio treinos de tiro, longão e rodagem.
Sempre procuro treinar de madrugada, porque é o melhor horário para não atrapalhar a rotina da casa e a correria do dia a dia.
Na academia, quando vou, minha esposa sempre vai junto. Vamos nos apoiando um ao outro.
Como saí do sedentarismo
O principal foi começar sem pensar em performance. Eu ia porque gostava. Com a evolução, fui querendo cada vez mais.
Criei o hábito e fui ajustando minha alimentação aos poucos.
Perda dos 21 kg
Não foi fácil.
Tive dificuldades, porque eu comia muita besteira e também bebia bastante. Nos primeiros meses, ainda mantinha esses hábitos.
Mas chegou um momento em que percebi que, para emagrecer de verdade, precisava cortar isso. Foi aí que comecei a ajustar a alimentação, manter mais constância nos treinos, e os resultados começaram a aparecer.

Mudança de hábito: o álcool
Essa foi a parte mais desafiadora.
Percebi que, se eu não parasse, não adiantaria nada. O álcool me limitava e me fazia mal. Eu bebia praticamente todos os dias — em churrascos, assistindo a jogos, em almoços… sempre havia bebida envolvida.
No começo, foi muito difícil. Tive que lidar com pessoas rindo e dizendo: “Quero ver até quando ele vai ficar sem beber”.
Alguns amigos se afastaram, porque eu não fazia mais parte daquele estilo de vida.
Mas hoje vejo que a maior transformação da minha vida foi ter parado de beber.
No dia 22/02/2026, completei 1 ano sem álcool.
Momentos difíceis
Teve um momento marcante: corri uma prova e não fiz o tempo que queria. Não executei o que tinha planejado e desanimei muito. Cheguei a ficar um mês sem treinar.
Foi quando minha filha mais velha, de 8 anos, olhou para mim e disse:
“Pai, você não vai correr mais? Eu gostava tanto de te ver correr.”
Aquilo acendeu algo em mim.
Foi ali que decidi performar de verdade. Desde esse dia, treino com muito mais dedicação — por mim e por elas.
Outro momento difícil foi no final de 2025, com festas e encontros de família. Tudo girava em torno de bebida. Eu quase cedi.
Mas a vontade de ser um atleta, de vencer e de continuar sendo exemplo para minha família foi maior.
Eu resisti.
Evolução na corrida
Com o tempo, comecei a levar a corrida mais a sério.
Minha primeira prova de 5 km foi em 23:32. Hoje faço em 18:28 — e sigo buscando evolução.
Minha meta agora é correr na casa dos 17:30 nos 5 km.
Quero evoluir nas provas e ser reconhecido como atleta — mas não só isso: também como alguém que superou limitações e hoje performa.
Também busco marcas que acreditam nessa jornada e possam caminhar comigo.
Conciliando família e trabalho
Sou pai de duas meninas, trabalho 12 horas por dia e tenho muitas responsabilidades.
Precisei aprender a organizar muito bem o meu tempo. Treino cedo, de madrugada, ou à noite, quando elas já dormiram.
Não é fácil. Mas minha esposa me apoia muito.
Minhas filhas também fazem parte disso. Muitas vezes, estão comigo nos treinos, me ajudam e me apoiam nas provas.
Se elas não vão, eu nem vou.
Elas são o meu combustível.
Conselho para outros pais
Se eu pudesse dar um conselho, seria: comece.
Não espere o momento perfeito. Mesmo com uma rotina corrida, dá para mudar de vida com pequenas atitudes diárias.
A corrida transforma não só o corpo, mas também a mente e a vida.
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